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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Breno Silveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.09.2023
05.02.1964 Brasil / Distrito Federal / Brasília
14.05.2022 Brasil / Pernambuco / Vicência
Reprodução da obra/Conspiração/D+ Filmes/Globo Filmes

Gonzaga: De Pai pra Filho, 2012
Breno Silveira

Breno Silveira (Brasília, Distrito Federal, 1964 – Vicência, Pernambuco, 2022). Cineasta, fotógrafo, produtor cinematográfico. O talento para contar histórias reais do interior do Brasil, sempre embaladas por empatia, sensibilidade e canções emblemáticas, constrói em seus filmes uma memória afetiva de grandes nomes da música popular brasileira.

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Breno Silveira (Brasília, Distrito Federal, 1964 – Vicência, Pernambuco, 2022). Cineasta, fotógrafo, produtor cinematográfico. O talento para contar histórias reais do interior do Brasil, sempre embaladas por empatia, sensibilidade e canções emblemáticas, constrói em seus filmes uma memória afetiva de grandes nomes da música popular brasileira.

Depois de se formar em cinema e fotografia na École Nationale Supérieure Louis Lumière, na França, Breno Silveira volta ao Brasil, onde atua pela primeira vez como diretor de fotografia em Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1994), filme dirigido por Carla Camurati (1960) e marco da retomada da produção cinematográfica no país depois da extinção da Embrafilme. A elogiada fotografia criada para o filme, com paleta de cores inspirada em pintores espanhóis como Goya (1746-1828) e Velázquez (1599-1660), traz imediato reconhecimento profissional de Silveira1.

Em 1996, o diretor de fotografia se associa à Conspiração Filmes. Seus primeiros trabalhos na produtora carioca são produções musicais. Mais à frente, dirige a fotografia dos filmes Traição (1997); Gêmeas (1999); Eu tu eles (2000) e O homem do ano (2003).

A carreira de Breno Silveira como cineasta se inicia em 2005 com o filme 2 filhos de Francisco, que conta a trajetória da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano. O roteiro aborda o empenho incansável de Francisco, lavrador no interior de Goiás, na realização do sonho de transformar dois de seus filhos em dupla sertaneja. O cineasta recebe por esse longa o prêmio de melhor diretor estreante no Palm Springs Film Festival – The John Schlesinger Award. O filme também é premiado como melhor filme pelo Júri Popular no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana (Cuba)

A saga dos irmãos goianos, porém, vai além do sucesso comercial e traz à tona um sonho do próprio cinema brasileiro: o de realizar um filme genuinamente popular. Como afirma o crítico Luiz Carlos Merten (1945), “o filme foi feito para celebrar a luta de Francisco, esse brasileiro sonhador, amoroso dos filhos e da música. Importantes diretores do cinema brasileiro, Glauber, Nelson Pereira, Hector Babenco, Cacá Diegues, tiveram sonhos semelhantes, o da construção de um grande filme popular que fosse honesto e verdadeiro. Breno Silveira conseguiu”2.

Em 2012, o cineasta leva às telas Gonzaga: de pai pra filho, outra história real com grandes nomes da música popular. A narrativa enfatiza o relacionamento entre Luiz Gonzaga (1912-1989), o Rei do Baião, e seu filho Gonzaguinha (1945-1991), cujas vidas são separadas por diferenças abissais. O projeto nasce do contato com áudios de entrevistas dos dois artistas, a partir dos quais o diretor vê a chance de retratar o choque entre dois universos distintos, o rural e o urbano, e as tentativas frustradas de aproximação entre pai e filho. A produção primorosa e as atuações cativantes conquistam a simpatia de público e crítica.

O desejo de falar sobre o Brasil em seus filmes e séries surge da necessidade de Breno Silveira entender e explicar histórias genuínas com as quais todos podem se identificar. Histórias que nos explicam a todos como país e como cultura, nos revelam com emoção a diversidade e a complexidade da identidade brasileira. Nesse contexto, em seus principais filmes, a música aparece como recurso discursivo que afirma a alma e a riqueza cultural do Brasil.  

Outro exemplo desse processo é o longa À beira do caminho (2012), com roteiro encomendado para Patrícia Andrade (1966), roteirista parceira em vários filmes do cineasta. Para contar a jornada de um caminhoneiro e de um menino em busca do pai, o roteiro é desenvolvido em torno das canções de Roberto Carlos (1941), cujos temas e situações de vida conduzem a história. 

Em 2015, o diretor se lança na produção de séries para plataformas de streaming, assumindo a direção geral de 1 contra todos, história de um pai de família que é confundido com um grande traficante de drogas e vê a vida desmoronar ao ser preso. A produção recebe indicação ao prêmio Emmy Internacional por dois anos seguidos. Em 2021, dirige Dom, série dramática, baseada em fatos reais, sobre um jovem de classe média viciado em drogas que se torna líder de uma quadrilha de assaltantes no Rio de Janeiro. A ideia nasce do encontro do cineasta com o pai de Pedro, o Dom da vida real3

No ano seguinte, inicia a filmagem de Dona Vitória, filme baseado em fatos verídicos sobre uma mulher aposentada que, para denunciar a criminalidade em Copacabana, realiza 33 horas de gravação de imagens feitas da janela do seu prédio. O material, que registra a ação de traficantes de drogas e policiais corruptos, leva ao desbaratamento da quadrilha.

Para gravar as primeiras cenas do longa, a equipe de filmagem se desloca para Pernambuco e se instala na cidade de Limoeiro em 1º de maio. Em 14 de maio, o diretor sofre um infarto fulminante durante as filmagens.   

Exímio contador de histórias caracterizadas pela empatia despertada pelos personagens e pela abordagem cuidadosa e respeitosa das jornadas deles em um Brasil culturalmente rico e diverso, Breno Silveira faz em sua obra uma reflexão delicada e amorosa sobre a realidade social brasileira a partir das trajetórias únicas de pessoas anônimas ou célebres, especialmente aquelas no interior do país.

Notas
1. Considerada “criativa e brincalhona” por alguns críticos e chamada de “tropicolor” pelo cineasta Arnaldo Jabor (1940-2022), a direção de fotografia de Breno Silveira é fundamental para o sucesso do filme. Segundo Carla Camurati, “a fotografia do Breno vem de pinturas: ele se baseou em Goya, Velázquez. Tínhamos uma paleta de cores muito estudada. Carlota Joaquina começa com tons frios, onde tudo é cinza e azulado na Escócia. Depois, ele cai na Espanha, onde existem os vermelhos, os pretos, com contraste, com fogo. Portugal ganha tons de branco, cinza e bege. A paleta inteira de cores apenas se une quando a história chega ao Brasil. Assim, a estética acompanha o raciocínio da história”. Cf. CARMELO, Bruno. Especial 25 anos:: Carlota Joaquina: Princesa do Brasil. Papo de Cinema, online, 31 ago. 2020. Disponível em: https://www.papodecinema.com.br/especiais/especial-25-anos-carlota-joaquina-princesa-do-brazil/. Acesso em: 25 jun. 2022.

2. RUY, Karine dos Santos. Para onde vão nossos filmes: um estudo sobre a circulação do blockbuster nacional no mercado de salas. 2011. 180p. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS), Porto Alegre, 2011. p. 133.

3. Em 2009, o policial Luiz Victor Lomba busca alguém que possa contar a história do filho a partir de uma perspectiva não maniqueísta, diferente da que predomina na época. Silveira decide realizar a série, mas com ênfase na relação conturbada de um pai que não desiste do filho envolvido em crimes.

Obras 2

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