Orlando Teruz
![Auto-Retrato, 1923 [Obra]](http://d3swacfcujrr1g.cloudfront.net/img/uploads/2000/01/001995005013.jpg)
Auto-Retrato, 1923
Orlando Teruz
Óleo sobre tela colada em madeira, c.i.e.
25,00 cm x 21,00 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ
Texto
Orlando Teruz (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1902 – Idem, 1984). Pintor e professor. Entre 1920 e 1923, estuda com os pintores Baptista da Costa (1865-1926) e Rodolfo Chambelland (1879-1967) na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Entre 1921 e 1933, participa de várias edições da Exposição Geral de Belas Artes na capital carioca. Em 1931, participa do Salão Revolucionário, realizado na Enba durante a gestão do arquiteto Lucio Costa (1902-1998), e do 2º Salão de Maio, em São Paulo, em 1938. No ano de 1934, ganha o prêmio de viagem ao exterior, oferecido pelo Salão Nacional de Belas Artes, mas usufrui da viagem apenas em 1939, quando visita França, Holanda e Itália. Em 1941, Teruz recebe o prêmio de viagem ao país, promovido pelo Salão Nacional de Belas Artes. Em 1944, expõe na mostra Pintores Modernos Brasileiros, realizada em Londres. Ainda na década de 1940, trabalha com Lucio Costa e Candido Portinari (1903-1962) na implementação da divisão moderna do Salão Nacional de Belas Artes. Nos anos 1950, ensina pintura no Instituto de Belas Artes da Guanabara. Participa das Bienais Internacionais de São Paulo em 1951 e 1953. Na década de 1970, forma um museu particular em sua residência no Rio de Janeiro.
Análise
Em livro dedicado à obra de Orlando Teruz, o escritor Carlos Heitor Cony (1926) aponta que o trabalho do pintor, formal e temático, aproxima-se da produção de Candido Portinari, com quem convive desde a formação na Enba. Ambos propõem uma pintura moderna, que foge de soluções determinadas pelo estudo acadêmico, mas mantém relação com a tradição.
Como Portinari, Teruz possui domínio das técnicas de pintura e de desenho de observação, aprimoradas durante a formação na Enba. Cenas de infância estão presentes em todos os períodos da vasta produção do pintor, além de temas dedicados a cavalos e reuniões populares. Segundo o historiador e crítico de arte Walmir Ayala (1933-1991), a concepção de modernidade de Teruz coincide com “os anseios da semente modernista: um cotidiano de brasilidade, nas cenas e figuras reconhecíveis à primeira vista como nossas” 1.
O crítico atenta também para a característica constitutiva da pintura de Teruz: um “nível intermediário entre o antigo e o novo, a norma e a ruptura, segundo um encaminhamento percorrido pouco a pouco, cotidianamente, sem maiores contradições ou inquietudes” 2. Nesse limiar entre tradicional e moderno, Teruz recorre, por vezes, a soluções trazidas pelos movimentos de vanguarda. Exemplos são as ambientações oníricas, recurso marcante do surrealismo e presente na produção tardia do artista, como em Cavalos (1969) ou Rosas (1965). Mais uma vez aqui, o rebaixamento dos tons de marrom e azul remete ao Portinari da década de 1940. A partir dos anos 1930, temas religiosos também permeiam a produção de Teruz.
Notas
1. AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1986, p.379.
2. Ibidem.
Obras 17
Auto-Retrato
Auto-Retrato com Temas do Artista
Baiana
Baianinha
Brincadeira de Roda na Roça
Exposições 87
Fontes de pesquisa 6
- 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
- AYALA, Walmir. Dicionário de Pintores Brasileiros. Rio de Janeiro: Spala Editora, 1986.
- CONY, Carlos Heitor. Orlando Teruz: pintor. Rio de Janeiro: Korum, s.d.
- LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
- PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
- PORTINARI, Candido. Candido Portinari. Texto de Antonio Callado. São Paulo: Finambrás, 1997.
Como citar
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ORLANDO Teruz.
In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025.
Disponível em: https://front.master.enciclopedia-ic.org/pessoa9352/orlando-teruz. Acesso em: 03 de maio de 2025.
Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7