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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ionaldo Rodrigues

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.03.2024
1985 Brasil / Pará / Belém
Ionaldo Rodrigues da Silva Filho (Belém, Pará, 1985). Fotógrafo, artista, sociólogo. Sua produção artística tem como eixos as relações entre historiografia, cidade e imagem. Investiga também a abordagem fotográfica relacionada a livros de artista e instalação.

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Ionaldo Rodrigues da Silva Filho (Belém, Pará, 1985). Fotógrafo, artista, sociólogo. Sua produção artística tem como eixos as relações entre historiografia, cidade e imagem. Investiga também a abordagem fotográfica relacionada a livros de artista e instalação.

Em 2004, realiza cursos livres de fotografia na Associação FotoAtiva, instituição em que se engaja como artista. Encerra sua graduação em ciências sociais na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2008, mesmo ano em que recebe a bolsa de pesquisa em arte do Instituto de Artes do Pará (IAP), com a série Botânica do asfalto (2007-2015), ensaio sobre as tensões entre história natural e história social a partir de impressões em cianotipia1.

O trabalho é, primeiramente, montado como caixa-portfólio e impressões emolduradas e, em 2015, parte dele é editada como múltiplos em pequeno formato pelo selo Prova Impressa. A partir dessa experiência, Rodrigues passa a editar e coordenar experimentações fotográficas no plano gráfico.

No ano seguinte, afasta-se progressivamente de dois campos de atuação da fotografia: o da produção cultural, a que esteve atrelado no período vinculado à FotoAtiva, e o da produção de fotografia documental, na Fundação Cultural do Pará (FCP), instituição cujo corpo técnico integra desde 2010, por meio da Fundação Curro Velho, com sede em Belém, que a partir de 2015 se torna o Núcleo de Oficinas Curro Velho, vinculado à FCP. 

Rodrigues passa a se dedicar mais à digitalização de arquivos fotográficos e cria instalações como C nova feira (2018) e  Arar o solo (2019) para problematizar esses documentos, por constatar uma falta de valorização da memória institucional, sintoma do abandono do próprio projeto do Curro Velho e de demais espaços de educação, cultura e arte nos contextos regional e nacional. Essas preocupações o levam a iniciar, em 2016, um trabalho de digitalização do arquivo fotográfico analógico das Oficinas Curro Velho.

A instalação C nova feira, premiada no 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia e pertencente ao acervo do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém, é composta por uma cadeira e mesa, aparelho projetor de slides contendo 43 diapositivos, publicação fotográfica realizada a partir da reprodução dos cromos para projeção (diapositivos) e um parágrafo sobre a relação entre arquivo e Estado, extraído de texto do filósofo camaronês Achille Mbembe (1957). O conjunto de slides registra o processo de construção, desmontagem da feira antiga e inauguração da Feira da Cidade Nova 4, em Ananindeua, região metropolitana de Belém, na primeira metade da década de 1980. O material foi localizado pelo artista no almoxarifado da Fundação Curro Velho, em 2014, passando a ser abrigado a partir dessa data no setor de audiovisual da instituição.

Em 2019, é um dos artistas convidados da 38ª edição do Arte Pará, com a instalação Arar o solo. A obra aborda o livro Tarefa, escrito pelo poeta João de Jesus Paes Loureiro (1939), cuja primeira edição havia sido censurada no contexto do golpe militar de 1964. É constituída por mobiliário (cadeira, mesa e parede de madeira compensada), um verso extraído do livro, reprodução de obras de Paes Loureiro e outros documentos dispostos e fixados na parede e sobre a mesa. Inclui a fotocópia da edição fac-similar do livro, realizada em 1989 a partir de um único exemplar sobrevivente. Algumas reproduções de páginas de Tarefa são feitas como se o livro fosse um negativo fotográfico, como se a polpa do papel fosse tão transparente quanto uma película fotográfica.

A problematização do arquivo ocorre nas etapas de seleção e exibição, evidenciando que a realidade que preexistiu à produção de documentos (seja o contexto da Feira da Cidade Nova ou do livro de João de Jesus Paes Loureiro) pode ser interpretada por meio de escolhas estéticas e por protocolos de indexação, em diálogo com possibilidades editoriais e interferência de elementos plásticos, como a materialidade das mobílias, do cimento e da luz por trás dos suportes. Sobre esse último ponto, Ionaldo afirma que percebe a relação entre elementos constitutivos dos dois trabalhos e  a casualidade do trabalho no arquivo do Curro Velho: quando iniciou a digitalização dos negativos, não tinha um aparelho de scanner apropriado para isso. A improvisação com scanners de mesa convencionais e com a mesa de luz para fotografar os negativos manifesta os recursos que vai aplicar na produção das duas instalações. 

As estratégias instalativas na produção de Ionaldo Rodrigues proporcionam uma visibilidade da história brasileira recente ao somar um número maior de materiais e situações, encontrando nelas uma maneira de organizar os elementos que constituem os trabalhos e, ao mesmo tempo, propor um espaço de manipulação dos documentos que pretende abrir ao público os artifícios acionados por um arquivista. 

Nota

1. Processo fotográfico desenvolvido no século XIX a partir de sais férricos, que produz imagens em tons azuis por exposição do suporte sensibilizado com químico à luz do Sol em contato com o negativo, gerando a cópia positiva após a revelação.

Exposições 9

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